O Ciclo da Borracha no Brasil

O ciclo da Borracha no Brasil abarca o período que vai 1879 a 1912. O ciclo teve início com a chamada Revolução Industrial e foi totalmente propiciado por ele, já que foi nessa época que a borracha passou a ser empregada em uma série de produtos. Mas, é somente na segunda metade do século seguinte, após o desenvolvimento do método de vulcanização, que a borracha tornou-se uma matéria prima ideal para ser empregada em automóveis, motocicletas e bicicletas, e se fez imprescindível na indústria moderna. A demanda pela borracha cresceu vertiginosamente, o que proporcionou à região norte do país um desenvolvimento nunca visto antes, por conta da exportação do produto in natura.

 

A borracha era extraída da seringueira, árvore brasileira que era largamente encontrada na região da Amazônia. O Brasil vai ocupar um dos principais lugares na exportação, tendo sido responsável pela produção de mais de 30 mil toneladas de borracha. O preço do produto teve um aumento veloz, tanto quanto a demanda dos mercados europeu e norte-americano. As riquezas da borracha trouxeram benefícios também às cidades do norte brasileiro, proporcionando a construção de estradas, pontes, casas e escolas. Em 1896, Manaus tornou-se a segunda cidade brasileira a possuir uma rede pública de iluminação elétrica. No mesmo ano,  começaram a circular pelas suas ruas os primeiros bondes elétricos. O ciclo da borracha fez ainda com que muitos trabalhadores, principalmente nordestinos, migrassem para a região, que tinha uma população muito pequena em relação as demais no país.

 

Entretanto, o que se convencionou como monopólio da borracha, durou apenas até o ano de 1910, quando os holandeses e os ingleses deram início à plantação de seringais em diversos países da Ásia: no Sri Lanka, na Malásia e na Indonésia. O produto era oferecido com preços mais atrativos. O látex inglês, por exemplo, estava sendo produzido de maneira extensiva, e acabou invadindo o mercado, e como não havia um planejamento empresarial que previsse a possibilidade de concorrência por parte de outros produtores, também não havia alternativas para concorrer diretamente com eles. Isto promoveu uma série de problemas para o norte do país, que sofreu com a crise que se instaurou.

 

Mesmo assim, ainda pode-se dizer que houve um chamado segundo ciclo da borracha, que foi promovido por uma invasão militar nos seringais da Malásia, durante ocupações na região que aconteceram durante a Segunda Guerra Mundial. Houve uma queda de mais de 97% a produção dos malaios, que estimulou, por pouco tempo, a produção brasileira.

22. abril 2015 por Geografia Legal
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