A Inconfidência Mineira

Um dos mais importantes movimentos sociais da história do Brasil foi a tentativa de tornar Vila Rica, hoje atual Ouro Preto, em um local independente do restante da Colônia. Luta pela liberdade, também significou opressão, delação em pelo ciclo do ouro.

 

A Inconfidência Mineira aconteceu no ano de 1789, mesmo ano em que acontecia outro importante acontecimento histórico – a tomada da Bastilha na França. O Brasil ainda era colônia de Portugal e sofria com os abusos políticos e com a cobrança de altas taxas e de impostos, que serviam para pagar a ostentação, luxo e dívidas da Coroa portuguesa. A metrópole, que somente decretava diversas leis que prejudicavam o desenvolvimento econômico e industrial da colônia, não fazia senão usar dos desmandos e da força para conter os descontentamentos.

 

Há várias razões que podem ser listadas e que motivaram o processo da Inconfidência Mineira, contudo dois foram os propulsores da tentativa de tornar Vila Rica independente da Metrópole. A primeira, sem sombra de dúvidas, a criação da Derrama, que funcionava da seguinte maneira: cada região de exploração de ouro deveria pagar 100 arrobas de ouro (1500 quilos) por ano para a metrópole. Quando a região não conseguia cumprir estas exigências, soldados da coroa entravam nas casas das famílias para retirarem os pertences até completar o valor devido. A segunda foi a forte influência dos ideais iluministas que chagavam da França e alimentava ainda mais o desejo dos revoltosos em se libertar de Portugal.

 

Mas é importante salientar que a Inconfidência Mineira não foi um movimento abarcado com exclusividade pela massa, mas pela elite que se via na possibilidade de ficar pobre e era totalmente contra a cobrança de tais impostos. Um grupo de intelectuais na época, bem como militares e até mesmo alguns fazendeiros, influenciados diretamente pelo Iluminismo começaram a se reunir para buscar uma solução definitiva para o problema: a conquista da Independência do Brasil, que somente viria anos à frente.

 

O grupo então foi liderado pelo alferes Joaquim José da Silva Xavier, conhecido por Tiradentes, era formado pelos poetas Tomas Antônio Gonzaga e Cláudio Manuel da Costa, o dono de mina Inácio de Alvarenga, o padre Rolim, entre outros representantes da elite mineira. A ideia do grupo era conquistar a liberdade definitiva e implantar o sistema de governo republicano em nosso país. Sobre a questão da escravidão, o grupo não possuía uma posição definida. Estes inconfidentes chegaram a definir até mesmo uma nova bandeira para o Brasil. Ela seria composta por um triangulo vermelho num fundo branco, com a inscrição em latim: Libertas Quae Sera Tamen.

 

O dia marcado para a insurreição e o levante popular era o da Derrama, que não chegou a acontecer. Os revolucionários foram delatados por Joaquim Silvério dos Reis, que tinha muitas dívidas com o governo e, que ganhara a promessa de perdão, caso delatasse a todos.

 

Todos os inconfidentes foram presos, jugados, e condenados – alguns ao degredo e outros à morte. A pena mais dura foi dada ao alferes, que foi esquartejado em praça pública para que servisse de exemplo a outras tentativas de insurreição.

16. abril 2015 por Geografia Legal
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